O Empreendedor

1994 – Preciso ganhar mais dinheiro...

Com o grande crescimento da globalização na década de 90, era imprescindível que os profissionais tivessem qualificação em informática para o mercado de trabalho, então logo pensei em mudar de ramo: do comércio para o educacional, e assim foi fundada a TXAI Cursos Livres, empresa voltada ao treinamento em informática. Em 1997 já eram 6 escolas, muitos alunos e, com isso uma inquietude pessoal.

1999 – Um novo paradigma

Eram muitos funcionários e pouca responsabilidade destas com o crescimento da empresa. Um dia, andando e pensando no shopping, entrei numa revistaria e peguei uma revista EXAME de Fev/1999 cujo o título era “ O novo evangelho segundo Peter Drucker”. O título me chamou a atenção por ser religioso, então a comprei e comecei a folhear quando uma frase me chamou a atenção “Sócios em vez de empregados”. ...5 meses após isso, em julho de 1999, eu estava no meio de 30 universitários “TENTANDO” torna-los empreendedores com a filosofia de empresa participativa (escola de informática) – lógico que isso não daria, e não deu totalmente certo, mas deixou uma das coisas importantes da minha vida até hoje. Um dos universitários tinha feito o censo dos deficientes físicos para a prefeitura de SBC e, como praticávamos o livre arbítrio, ele doou 1 bolsa do curso de informática para um deficiente. Eu logo que vi isso, fiquei louco: “Que conversa é essa de curso para deficiente? Ele vai cair e ficar babando no meio da aula e quem se responsabiliza? Vocês tem que pensar é em arrumar alunos“ (na minha ignorância empresarial). Logo após, fui chamado para uma reunião na prefeitura de SBC e explicaram que existia uma lei de cotas para deficientes para empregabilidade, porém não existiam deficientes qualificados e nós poderíamos ajudar e além disso, deficiente NÃO CAI E BABA, são ótimos profissionais e, uma vez qualificados, podem se tornar ainda melhores e principalmente se tornarem cidadãos mais FELIZES. E em 30 minutos troquei minha IGNORÂNCIA por COMPAIXÃO (mesmo este sendo ainda um sentimento errado). Numa reunião com os universitários, resolvemos doar não só UMA, mas 10 bolsas para deficientes e 10 bolsas para Idosos. Em dezembro do mesmo ano, não havia mais o projeto com universitários e eu fiquei com essas “20 Responsabilidades Sociais”, ou sei lá o que...

2000-2001 – Um alucinado social

Um empresário de terno e gravata empurrando cadeiras de rodas.
“Deve estar querendo alguma coisa...”


No ano 2000 e 2001, foram doadas 590 bolsas. Fizemos várias ações sociais e culturais, comecei a participar de congressos, reuniões sobre a realidade dos deficientes, instituições e empresas. Me envolvi demais na minha racionalidade e RESPONSABILIDADE SOCIAL (a verdadeira) e isso me encantou. Desta forma, a TXAI perdeu a identidade como escola de cursos particular e virou, sem querer, uma ENTIDADE, então em 2001 foi criado o logo do projeto, sem a menor pretensão de Marketing Social, mas mesmo assim não conseguiu desvincular meu lado social, que ninguém queria entender e pessoas pequenas faziam muitas coisas para me atrapalhar.

2002 – ONG ou NÃO?

Eu já havia pensado, nos anos anteriores, que seria melhor transformar o projeto e algo como uma associação , mas não me interessava, pois sempre consegui ajudar sozinho . Em 2002 procurei pessoas com “EXPERIÊNCIA” e tentei algumas “AÇÕES” para essa transformação, mas quanto mais pesquisava, mais meu coração, lá no fundo me perguntava: ”É isso realmente o que você quer?” Eu ouvi tantas coisas e tantas pessoas que meus olhos muitas vezes ficavam arregalados e muitas vezes até entristecido, mas mesmo assim, tentei, tentei e no final de 2002 resolvi parar com o projeto do que lá na frente me arrepender. Não é só o fato de ter mais ou menos dinheiro, que faz um projeto ajudar pessoas (porque doar e captar dinheiro é fácil) o que faz ajudar pessoas é ATITUDE. E era isso que eu queria: Ajudar pessoas.

2003 –Um alto preço... É melhor parar !

Paguei um alto preço: entrei em depressão pessoal e profissional e neste ano comecei um projeto de bolsas que me deixou muito feliz, que foi com deficientes mentais, que neste o importante era apenas SORRIR, e SORRIR COM SINCERIDADE.

2004 – Retomada a disponibilidade empresarial e pessoal

Após a minha reflexão do ano anterior, resolvi que as pessoas que NÃO QUEREM, não poderiam vencer os que QUEREM CONQUISTAR. E comecei tudo de novo, estruturando um novo espaço para o projeto, e totalizando, foram doadas 300 bolsas de estudo. No final do ano fizemos uma festa que valeu a pena voltar a ajudar pessoas.

2005 – Realizei o Caminho de Santiago pela primeira vez.

É impossível ir além mar sozinho...
Precisamos de mais empreendedores sociais.

No final de 2004, um amigo meu já a 20 anos Mauricio Genaro Jr, que sempre me acompanhou de longe com minhas “neuroses sociais”, me disse que gostaria de me ajudar mais, eu disse a ele que não daria para ajudar o projeto monetariamente, pois não queria ser uma Ong, e existiam muitos projetos para ele ajudar no mercado. Em janeiro de 2005 mais uma vez ele veio conversar comigo que passou o final de ano todo pensando e gostava da idéia do projeto e queria ajudar, ele contratou 3 deficientes do projeto em sua empresa, e comecei a pensar que tenho que deixar pessoas também fazer parte de minha neuroses e que ele realmente estava consciente do que era o projeto e iria agregar um grande valor de crescimento a causa social. Inauguramos a sede do projeto Adote um Cidadão.

2012 – Realizei o Caminho de Santiago pela segunda vez.

De 2005 até 2011, eu e o Mauricio alcançamos ideais impressionantes nestes 7 anos juntos, com um novo espaço dedicado exclusivamente ao projeto tivemos uma alegria de conhecimento interpessoal inalcançável se estivéssemos separados, como Via láctea e a chegada dos deficientes visuais e auditivos com maior ênfase foi muito gratificante fizemos projetos virarem realidade com nosso colaboradores que se dedicaram com alma e voo de águia. Mas no inicio de 2012 começamos a nos questionar do que estávamos fazendo com Tzedaka ou apenas depois de tantos anos apenas doação. E mais uma vez aparece um amigo Evaldo Costa de 23 anos de amizade, que sempre durante anos quis ajudar o projeto com doações da multinacional que ele trabalhava a 12 anos, e nos continuávamos com nosso ideal de não receber dinheiro ou ajuda de ninguém, “risos” , dizendo que tinha se desligado da empresa e gostaria de trabalhar no 3º setor, e fomos “convencidos” por ele e pelo nosso coordenador e amigo Roque Firmino (dEficente Visual), que era hora de transformar nosso IDEAL em uma ONG, e é isso que a partir de agora vamos assumir com os mesmos ideais de Amor essa nova fase do projeto de nossas vidas. Novembro de 2012 nosso filho vai andar livre pelo mundo, foi fundada a ASSOCIAÇÃO PROJETO ADOTE UM CIDADÃO.


A partir de agora não quero mais contar esta história sozinho. Preciso de sua história também...


“Quando a carga no lombo de um cavalo começa a se desequilibrar e pender para um lado, é necessário apenas a ajuda de um homem para recoloca-lo na posição correta. No entanto, se esta vier a tombar no chão, nem mesmo quatro ou cinco homens poderão levanta-lo do solo e recoloca-la.” Assim também é com a TSEDAKÁ (caridade/amor): um pouco hoje pode realizar o que muito amanhã talvez não consiga.



Antonio Carlos Veiga
Empreendedor Social





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